Cecília Meireles – Elegia

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À memória de
Jacinta Garcia Benevides

1

Minha primeira lágrima caiu dentro dos teus olhos.
Tive medo de a enxugar: para não saberes que havia caído.

No dia seguinte, estavas imóvel, na tua forma definitiva,
modelada pela noite, pelas estrelas, pelas, minhas mãos.

Exalava-se de ti o mesmo frio do orvalho; a mesma
claridade da lua.

Vi aquele dia levantar-se inutilmente para as tuas
pálpebras, e a voz dos pássaros e das águas correr
-sem que a recolhessem teus ouvidos inertes.

Onde ficou teu outro corpo? Na parede? Nos imóveis?
no teto?

Inclinei-me sobre o teu rosto, absoluta, como um espelho,
E tristemente te procurava.

Mas também isso foi inútil, como tudo mais.

2

Neste mês, as cigarras cantam
e os trovões caminham por cima da terra,
agarrados ao sol.

Neste mês, ao cair da tarde, a chuva corre pelas montanhas,
e depois a noite é mais clara,
e o canto dos grilos faz palpitar o cheiro molhado do chão.

Mas tudo é inútil,
porque os teus ouvidos estão como conchas vazias,
e a tua narina imóvel
não recebe mais notícia
do mundo que circula no vento.

Neste mês, sobre as frutas maduras cai o beijo áspero
das vespas…
-e o arrulho dos pássaros encrespa a sombra,
como água que borbulha.

Neste mês, abrem-se cravos de perfume profundo e obscuro;
a areia queima, branca e seca.
junto ao mar lampejante;
de cada fronte desce uma lágrima de calor.

Mas tudo é inútil,
porque estás encostada à terra fresca,
e os teus olhos não buscam mais lugares
nesta paisagem luminosa,
e as tuas mãos não se arredondam já
para a colheita nem para a carícia.

Neste mês, começa o ano, de novo,
e eu queria abraçar-te.

Mas tudo é inútil:
eu e tu sabemos que é inútil que o ano comece.

3

Minha tristeza é não poder mostrar-te as nuvens brancas,
e as flores novas como aroma em brasa,
com as coroas crepitantes de abelhas.

Teus olhos sorririam,
agradecendo a Deus o céu e a terra:
eu sentiria teu coração feliz
como um campo onde choveu.

Minha tristeza é não poder acompanhar contigo
o desenho das pombas voantes,
o destino dos trens pelas montanhas,
e o brilho tênue de cada estrela
brotando à margem do crepúsculo.

Tomarias o luar nas tuas mãos,
fortes e simples como as pedras,
e dirias apenas: “Como vem tão clarinho!”

E nesse luar das tuas mãos se banharia a minha vida,
sem perturbar sua claridade,
mas também sem diminuir minha tristeza.

4

Escuto a chuva batendo nas folhas, pingo a pingo.

Mas há um caminho de sol entre as nuvens escuras.

E as cigarras sobre as resinas continuam cantando.

Tu percorrias o céu com teus olhos nevoentos,
e calcularias o sol de amanhã,
e a sorte oculta de cada planta.

E amanhã descerias toda coberta de branco,
brilharias à luz como o sal e a cânfora,
tomarias na mão os frutos do limoeiro, tão verdes,
e entre o veludo da vinha, verias armar-se o cristal dos bagos.

E olharias o sol subindo ao céu com asas de fogo.

Tuas mãos e a terra secariam bruscamente.

Em teu rosto, como no chão,
haveria flores vermelhas abertas.

Dentro do teu coração, porém, estavam as fontes frescas,
sussurrando.

E os canteiros viam-te passar
como a nuvem mais branca do dia.

5

Um jardineiro desconhecido se ocupará da simetria
desse pequeno mundo em que estás.

Suas mãos vivas caminharão acima das tuas, em descanso,
das tuas que calculavam primaveras e outonos,
fechadas em sementes e escondidos na flor!

Tua voz sem corpo estará comandando,
entre terra e água,
o aconchego das raízes tenras,
a ordenação das pétalas nascentes.

À margem desta pedra que te cerca,
o rosto das flores inclinará sua narrativa:
história dos grandes luares,
crescimento e morte dos campos,
giros e músicas de pássaros,
arabescos de libélulas roxas e verdes.

Conversareis longamente,
em vossa linguagem inviolável.

Os anjos de mármore ficarão para sempre ouvindo:
que eles também falam em silêncio.

Mas a mim – se te chamar, se chorar – não me ouvirás
por mais perto que venha, não sou mais que uma sombra
caminhando em redor de uma fortaleza.

Queria deixar-te aqui as imagens do mundo que amaste:
o mar com seus peixes e suas barcas;
os pomares com cestos derramados de frutos;
os jardins de malva e trevo, com seus perfumes
brancos e vermelhos.

E aquela estrela maior, que a noite levava na mão direita.

E o sorriso de uma alegria que eu não tive,
mas te dava.

6

Tudo cabe aqui dentro:
vejo tua casa, tuas quintas de fruta,
as mulas deixando descarregarem seirões repletos,
e os cães de nomes antigos
ladrando majestosamente
para a noite aproximada.

Tange a atafona sobre uma cantiga arcaica:
e os fusos ainda vão enrolando o fio
para a camisa, para a toalha, para o lençol.

Nesse fio vai o campo onde o vento saltou.

Vai o campo onde a noite deixou seu sono orvalhado.

Vai o sol com suas vestimentas de ouro
cavalgando esse imenso gavião do céu.

Tudo cabe aqui dentro:
teu corpo era um espelho pensante do universo.

E olhavas para essa imagem, clarividente e comovida.

Foi do barco das flores, o teu rosto terreno,
e uns líquens de noite sem luzes
se enrolaram em tua cabeça de deusa rústica.

Mas puseram-te numa praia de onde os barcos saíam
para perderem-se.

Então, teus braços se abriram,
querendo levar-te mais longe:
porque eras a que salvava.

E ficaste com um pouco de asas.

Teus olhos, porém, mediram a flutuação do caminho.

Por isso, tua testa se vincou de alto a baixo,
e tuas pálpebras meigas
se cobriram de cinza.

7

O crepúsculo é este sossego do céu
com suas nuvens paralelas
e uma última cor penetrando nas árvores
até os pássaros.

É esta curva dos pombos, rente aos telhados,
este cantar de galos e rolas, muito longe;
e, mais longe, o abrolhar de estrelas brancas,
ainda sem luz.

Mas não era só isto, o crepúsculo:
faltam os teus dois braços numa janela, sobre flores,
e em tuas mãos o teu rosto,
aprendendo com as nuvens a sorte das transformações.

Faltam teus olhos com ilhas, mares, viagens, povos,
tua boca, onde a passagem da vida
tinha deixado uma doçura triste,
que dispensava palavras.

Ah, falta o silêncio que estava entre nós,
e olhava a tarde, também.

Nele vivia o teu amor por mim,
obrigatório e secreto.

Igual à face da Natureza:
evidente, e sem definição.

Tudo em ti era uma ausência que se demorava:
uma despedida pronta a cumprir-se.

Sentindo-o, cobria minhas lágrimas com um riso doido.

Agora, tenho medo que não visses
o que havia por detrás dele.

Aqui está meu rosto verdadeiro,
defronte do crepúsculo que não alcançaste

Abre o túmulo, e olha-me:
dize-me qual de nós morreu mais.

8

Hoje! Hoje de sol e bruma,
com este silencioso calor sobre as pedras e as folhas!

Hoje! sem cigarras nem pássaros.

Gravemente. Altamente.

Com flores abafadas pelo caminho,
entre essas máscaras de bronze e mármore
eterno rosto da terra.

Hoje.

Quanto tempo passou entre a nossa mútua espera!

Tu, paciente e inutilizada,
cantando as horas que te desfaziam.

Meus olhos repetindo essas tuas horas heróicas,
no brotar e morrer desta última primavera
que te enfeitou.

Oh, a montanha de terra que agora vão tirando do teu peito!

Alegra-te, que aqui estou,
fiel, neste encontro,
como se do modo antigo vivesses
ou pudesses, com a minha chegada, reviver.

Alegra-te, que já se desprendem em tábuas que te fecharam,
como se desprendeu o corpo
em que aprendeste longamente a sofrer.

E, como o áspero ruído da pá cessou neste instante,
ouve o amplo e difuso rumor da cidade em que continuo,
-tu, que resides no tempo, no tempo unânime!

Ouve-o e relembra
não as estampas humanas: mas as cores do céu e da terra, o calor do sol,
a aceitação das nuvens,
o grato deslizar das águas dóceis,
tudo o que amamos juntas.

Tudo em que me dispersei como te dispersaste.

E mais esse perfume de eternidade,
intocável e secreto,
que o giro do universo não perturba.

Apenas, não podemos correr, agora,
uma para a outra.

Não sofras, por não te poderes levantar
do abismo em que te reclinas:
não sofras, também,
se um pouco de choro se debruça nos meus olhos,
procurando-te.

Não te importes que escute cair,
no zinco desta humilde caixa,
teu crânio, tuas vértebras,
teus ossos todos, um por um…

Pés que caminhavam comigo,
mãos que me iam levando,
peito do antigo sono,
cabeça do olhar e do sorriso…

Não te importes. Não te importes…

Na verdade, tu vens como eu te queria inventar:
e de braço dado desceremos por entre pedras e flores.

Posso levar-te ao colo, também,
pois na verdade estás mais leve que uma criança.
– Tanta terra deixaste porém sobre o meu peito!
irás dizendo, sem queixa,
apenas como recordação.

E eu, como recordação, te direi:
– Pesaria tanto quanto o coração que tiveste,
o coração que herdei?

Ah, mas que palavras podem os vivos dizer aos mortos?

***

E hoje era o teu dia de festa!

Meu presente é buscar-te.

Não para vires comigo:
para te encontrares com os que, antes de mim,
vieste buscar, outrora.

Com menos palavras, apenas.

Com o mesmo número de lágrimas.

Foi lição tua chorar pouco,
para sofrer mais.

Aprendi-a demasiadamente.

Aqui estamos, hoje.

Com este dia grave, de sol velado.

De calor silencioso.

Todas as estátuas ardendo.

As folhas, sem um tremor.

Não tens fala, nem movimento nem corpo.

E eu te reconheço.

Ah, mas a mim, a mim.
Quem sabe se me poderás reconhecer!

(Cecília Meireles – Elegia – Fonte)

A longa “Elegia”, que fecha o livro Mar absoluto e outros poemas
(1945), de Cecília Meireles, já foi citada por vários de seus estudiosos
como um dos momentos mais densos da lírica ceciliana. O poema tem sido analisado, via de regra, apenas do ponto de vista da dedicatória à avó feita por
Cecília Meireles. É possível estabelecer outros caminhos para a
leitura dos poemas, propondo que neles, como no restante da obra da
poetisa, a morte não representa aniquilação, mas sim a ascensão para
um patamar de perfeição inatingível durante a vida. (Ana Maria Domingues de Oliveira – UNESP)

À vó, com saudades.

 

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Poesia nos muros

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Foto: @anaclaraccosta

Faz muito tempo desde que decidi enxergar poesia pela primeira vez. Certa vez, também há muito tempo, escrevi que a poesia era como preparar a massa de um bolo, acalmá-la, pôr-lhe a fôrma e a forma, assá-la, enfeitá-la com uma cereja ao final. Isso porque achava, como Drummond, que as palavras estariam sempre esperando para serem escritas em algum lugar, inquietas, prontas para serem trazidas à vida, com ou sem cereja. Durante horas eu ficava divagando sobre a próxima receita, fantasiando que o escritor seria aquela criatura mágica dentro de uma bolha capaz de não só ver, mas enxergar; não só ouvir, mas escutar, e todas aquelas coisas que você sabe bem.

Vai ver eu e Drummond pensamos pouco sobre o assunto. Poesia vai bem mais além do que uma receita que dá água na boca e com certeza vai mais além do que palavras escondidas em um reino de palavras, esperando, e só.

Digo isso porque certa vez decidi olhar as paredes feitas de madeira e seus riscos feitos à mão, o concreto das avenidas, a luz dos postes, a sombra das árvores, o chão irregular, a tinta do papel contra a chuva, o segredo por trás das placas, os rabiscos nas lixeiras. De início meu pensamento foi algo banal do tipo quem-será-que-perde-tempo-colando-papel-pra-desmanchar-na-chuva, mas depois parei pra pensar em Saramago e aquele mantra: “se podes olhar, vê; se podes ver, repara”. E reparei.

E é tão bom reparar em poesia.

(Clicando aqui tem mais muros)

Mãos dadas – Carlos Drummond de Andrade

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Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

(Carlos Drummond de Andrade. Fonte)

O mantra

“Curar algumas vezes, aliviar quase sempre, consolar sempre.”. Estava lá em letras gritantes, só para que todo mundo que olhasse pra cima pudesse ver. Hipócrates, disseram. Ao meu redor, como copos cheios d’água que quase transbordam, inúmeros profissionais da área médica olhavam as letras gigantes. Eu, não. Não bastou olhá-las. Li e reli, tentando compreender o mantra daquele que atribuímos, desde os primeiros dias da faculdade, o título de Pai da Medicina. Os copos de água sorriam, indiferentes: já reconheciam o mantra, sem lembrar do que seja um mantra. Por sorte ou azar – ainda não ousei definir – eu me lembrava.

De certa forma, antecipo-me e compreendo: quando a ciência se limita diante da doença, vem o consolo. Compreendo Hipócrates, agradeço, saio pela porta de fininho e o incômodo pousa no peito como uma lei. Volto meus ombros, suspiro porque sempre foi mais forte do que eu esse quê de “como?”, e me forço a caminhar até ele, me sento e suplico com um olhar gentil. Ele, é claro, me olha calmo e sorridente com aquela barba branca, com aquelas rugas no canto dos lábios e com aqueles olhos gregos gentis e me cita alguma frase que ele nem ousa dizer. Como consolar, eu perguntaria, se sou feita de poesia?

O senhor de pés cansados que atravessa a faixa da grande cidade com pressa. A criança que se cala porque dói, mas é que é tão difícil reconhecer quando dói se a dor não passa. O colo que não foi dado. A dor que não dá pra ser ignorada. O calafrio que não passa. A hora de ouro que perdeu a luta contra o tempo. A informação não compreendida. Mas também a ausência da informação. O vazio que se torna maior diante da espera. O medo diante da pressa em caminhar por um caminho que nunca vem. A fila de espera, o colchão no chão, o remédio incerto, a falta de luz, a falta de leito, a falta de mim, de ti, dele, a falta de um pouquinho a mais porque só um pouquinho ajudaria, a falta, a ausência, a Lava Jato, a cueca cheia de dinheiro. A fome vencida pela licitação da merenda. O saneamento básico contra um Duplex memorável. Vá devagar, imploro, suplico: pegue a minha mão, senhor. Seu pé dói, eu sei, não posso dizer que compreendo porque não sinto, mas se sentisse eu compreenderia, você sabe que sim. Vamos devagar, não nos afastemos, vamos de mãos dadas. Deixe as buzinas de lado. Deixe a pressa de lado. Console, ninguém está olhando. Console os taciturnos, nutridos de esperança. Console. Ninguém está ouvindo.

Não serei a cantora de uma história; para cantar, tenho mantras. Suspiro ao velhinho que me consola como se compreendesse. Serei poeta de um mundo caduco.

(Naély Pereira Covre – Minha autoria)

os nossos impossíveis – E.E. Cummings

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estou tão contente e muito
apenas um quarto de mim curará
o ser mais preguiçoso da fadiga
o mar mais intenso do litoral

tão longe chega a tua proximidade
um afortunado quinto de ti
transforma as pessoas em cadas
e os cobardes em crescer

os nossos impossíveis foram feitos para acontecer
os nossos íssimos extinguiram-se em mais
um vigésimo de nós haverá de
escancarar uma porta escancarada

somos tão ambos e singulares
a noite não consegue ser tão céu
o céu não consegue ser tão solífero
sou através de ti tão eu

(E.E. Cummings – Tradução por Vasco Gato)

O lutador – Carlos Drummond de Andrade

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Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entretanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
Algumas, tão fortes
como o javali.
Não me julgo louco.
Se o fosse, teria
poder de encantá-las.
Mas lúcido e frio,
apareço e tento
apanhar algumas
para meu sustento
num dia de vida.
Deixam-se enlaçar,
tontas à carícia
e súbito fogem
e não há ameaça
e nem há sevícia
que as traga de novo
ao centro da praça.

Insisto, solerte.
Busco persuadi-las.
Ser-lhes-ei escravo
de rara humildade.
Guardarei sigilo
de nosso comércio.
Na voz, nenhum travo
de zanga ou desgosto.

Sem me ouvir deslizam,
perpassam levíssimas
e viram-me o rosto.
Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue…
Entretanto, luto.

Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate.
Quisera possuir-te
neste descampado,
sem roteiro de unha
ou marca de dente
nessa pele clara.
Preferes o amor
de uma posse impura
e que venha o gozo
da maior tortura.

Luto corpo a corpo,
luto todo o tempo,
sem maior proveito
que o da caça ao vento.
Não encontro vestes,
não seguro formas,
é fluido inimigo
que me dobra os músculos
e ri-se das normas
da boa peleja.

Iludo-me às vezes,
pressinto que a entrega
se consumará.
Já vejo palavras
em coro submisso,
esta me ofertando
seu velho calor,
aquela sua glória
feita de mistério,
outra seu desdém,
outra seu ciúme,
e um sapiente amor

me ensina a fruir
de cada palavra
a essência captada,
o sutil queixume.
Mas ai! é o instante
de entreabrir os olhos:
entre beijo e boca,
tudo se evapora.

O ciclo do dia
ora se conclui
e o inútil duelo
jamais se resolve.
O teu rosto belo,
ó palavra, esplende
na curva da noite
que toda me envolve.
Tamanha paixão
e nenhum pecúlio.
Cerradas as portas,
a luta prossegue
nas ruas do sono.

(Carlos Drummond de Andrade. Fonte)

Uma nota de quem não entende notas

Ouso dizer que quem já se sentiu Alegre, também, quase no mesmo instante, (re)conheceu a gratidão.

Leal e valorosa – e agora um pouco mais íntima dos meus (ou seriam teus?) lilases: eis aqui minha nota simples como tu a ti, que tão calorosamente e silenciosamente me ensinou a crescer.

José, posso jurar que há poesia nas coisas simples. Vou logo ali buscá-la e já volto pra te escrever.